Essência e função da LITERATURA na formação do indivíduo
Por: Daniela Senna
A Literatura não é apenas um fenômeno de linguagem, em que aparecem experiências e narrativas, ligadas ou não a um contexto social e tradições culturais de uma época. A Literatura não é somente informação, transmissão de conhecimentos ou formadora de opinião. Também não a vejo como um mero instrumento didático suficiente, por si só, a captar a atenção de crianças - e por que não de adultos - com histórias ou contos de fadas que levam a 'viagens' por um mundo imaginário.
Através de experiências vivenciadas com meus alunos, noto que a Literatura engloba vários aspectos, além dos já citados acima, porém, é muito mais: é uma arte.
Através da Literatura pode-se estabelecer relações de aprendizagem que são fundamentais para a formação da consciência do indivíduo, bem como do seu caráter, o que influenciará diretamente no seu estilo de vida. Há um ditado que diz "diga-me com quem andas e te direi quem és". Em relação á literatura eu diria "diga-me o que lês e te direi quem serás".
Trabalhando há alguns anos com alfabetização noto, com grande tristeza, que a leitura está cada vez mais sendo deixada de lado, de escanteio. Com a chegada do mundo virtual a leitura deixou de ser considerada como um lazer, para ser associada aos 'estudos', à cobrança de algo que só se faz quando é obrigatório.
O próprio fato de ter que aprender a ler, nos primeiros anos do ensino fundamental como algo imposto, cheio de cobranças, já cria uma barreira tão forte e muitas vezes intransponível, que a criança levará consigo por toda a sua vida. Tanto que maioria das pessoas que não gostam de ler, quando questionadas, nem sabe explicar o porquê.
"A prática da leitura se faz presente desde o momento em que começamos a "compreender" o mundo à nossa volta. No constante desejo de decifrar e interpretar o sentido das coisas que nos cercam, de perceber o mundo sob diversas perspectivas, de relacionar a realidade ficcional com a que vivemos, no contato com um livro, enfim, em todos estes casos estamos, de certa forma, lendo - embora, muitas vezes, não nos demos conta.
Para poder aproveitar o mundo maravilhoso da Literatura, através da leitura, é necessário que o leitor seja realmente apaixonado, ávido por descobrir coisas novas, e isto tem início nos primeiros anos de vida, dependendo da forma como cada um é estimulado.
1 MAIS DO QUE LER - SENTIR
O ato de ler envolve e absorve todos os sentidos do corpo humano, pois vai além do mero enxergar, decifrar códigos e emitir sons. Supera o be-a-bá, o juntar as letras para formar palavras, frases e até mesmo textos. Ler envolve sentimento, emoção, envolve a alma!
Paulo Freire, sabiamente, escreveu em seu livro A importância do ato de ler: "Continuando neste esforço de "re-ler" momentos fundamentais de experiências de minha infância...em que a compreensão crítica da importância do ato de ler se veio em mim constituindo através de sua prática, retomo o tempo em que, como aluno do chamado curso ginasial, me experimentei na percepção crítica dos textos que lia em classe, com a colaboração, até hoje recordada, do meu então professor de língua portuguesa.
Não eram, porém, aqueles momentos puros exercícios de que resultasse um simples dar-nos conta da existência de uma página escrita diante de nós que devesse ser cadenciada, mecânica e enfadonhamente "soletrada", em vez de realmente lida. Não eram aqueles momentos "lições de leitura", no sentido tradicional desta expressão. Eram momentos em que os textos se ofereciam à nossa inquieta procura, incluindo a do então jovem professor José Pessoa. Algum tempo depois, como professor também de português, nos meus vinte anos, vivi intensamente a importância do ato de ler e de escrever, no fundo indicotomizáveis, com alunos das primeiras séries do então chamado curso ginasial. A regência verbal, a sintaxe de concordância, o problema da crase...nada disso era reduzido por mim a tabletes de conhecimentos que devessem ser engolidos pelos estudantes. Tudo isso, pelo contrário, era proposta à curiosidade dos alunos de maneira dinâmica e viva, no corpo mesmo dos textos, ora de autores que estudávamos ora deles próprios, como objetos a ser desvelados e não como algo parado, cujo perfil eu descrevesse. Os alunos não tinham que memorizar mecanicamente a descrição do objeto, mas apreender a sua significação profunda."
No momento em que a Literatura passa a ser prazer ao invés de dever, o ato de ler torna-se parte indispensável da vida. Afinal, quem de nós não lembra de algum momento da infância em que segurava um livro entre os dedos e lia horas a fio, só por ler? Ler, apenas ler...sem se preocupar com as horas que iam passando, passando...
Mas com competir com o mundo de hoje, cada vez mais informatizado, cheio de tecnologias e inovações quase que diárias? Como chamar a atenção do leitor, em meio a tantos computadores, celulares e jogos virtuais?
2 DESAFIOS DA LITERATURA EM MEIO AO MUNDO VIRTUAL - PAPEL DOS PAIS E EDUCADORES
Atualmente as crianças interessam-se pelo mais fácil, pelo que já está pronto, a fim de poupar 'trabalho' pensando ou analisando algo: as brincadeiras e jogos são no computador, as pesquisas escolares são feitas através da internet, até mesmo os relacionamentos são 'construídos' atrás de uma simples tela. A internet contribui, e muito, para a sociedade apressada e sempre em correria em que vivemos, mas nada pode substituir a leitura! E se isto já está acontecendo, temos falhado em alguma parte do caminho, pois "
2.1.4 Antes de dormir
Eu lembro até hoje que meu pai contava histórias pra eu dormir quando pequena. Muitas delas, inventadas, mas que faziam minha imaginação ir a mundos tão distantes, nunca antes percorridos. Contar histórias e ler livros para as crianças antes de dormirem é uma atividade antiga, mas que nunca perde o seu encanto! E depois, é claro, tem o tão esperado beijo de boa noite.
2.1.5 Brincando também se aprende
Há diversos recursos para se estimular a leitura e o gosto pelos livros infantis, dentre eles podemos citar jogos como forca, dominó, caixa de letrinhas ou livro surpresa. O importante é ler, e ler sempre. O gosto pela leitura vem com o tempo.
2.1.6 Alimentar o hábito de ler
Não posso deixar de citar aqui as idas à bibliotecas públicas, livrarias, sessões de autógrafos e feiras de livros. Estes locais, quando visitados, causam uma forte impressão na mente das crianças, e certamente contribuem para desenvolver o hábito da leitura.
3 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Sem dúvida a literatura é parte integrante da vida de cada um. Cabe aos pais e educadores a responsabilidade de fazer com que esta seja prazerosa ou desgostosa, animadora ou desanimadora, educativa ou destrutiva.
Com o stress - palavras tão usada e vivida na atualidade - e a agitação de nossos dias é evidente que temos que priorizar certas coisas da vida e deixar de lado outras, menos importantes. Mas se tem algo pelo que devemos lutar e correr atrás é a leitura.
Devemos cuidar para que a alegria de folhear um livro, sentir o seu cheiro, tocar suas páginas e sonhar com ele não desapareça, mas que seja reavivada por cada um de nós.
Há coisas que merecem atenção, para que não seja mais uma das que entrarão para o mundo do esquecimento e das lembranças...
O ato de ler nos dá a liberdade de pensar, de refletir e de agir. Nos ajuda a ter consciência e a parar para pensar em qual direção seguir.
Então, penso que a leitura deve ser parte não somente da nossa vida, mas deve ser parte de nós mesmos.
REFERÊNCIAS
MARIA CAROLINA, artigo em publicação periódica no site
WHITE.H.G. Fundamentos da educação cristã. Casa Publicadora Brasileira. 420 p.